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S. Basílio Magno e a Matematização da Natureza

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SÃO BASÍLIO SERIA CONTRA A MATEMATIZAÇÃO DA NATUREZA,

por Daniel Fernandes, disponível no LINK.

Para São Basílio (século IV), os números e proporções podem ser meios de perceber a ordem do cosmos, mas jamais expressam a realidade última das coisas, como pensam os modernos (desde Galileu, Newton e Descartes). A natureza não é pura abstração, mas CRIAÇÃO REAL, dotada de qualidades, forma e finalidade. Por isso mesmo, penso que, em certo sentido, São Basílio seria um crítico contundente da “matematização da natureza”, que reduziu, no começo da era moderna, a realidade natural a números, fórmulas matemáticas ou estruturas sem qualidades. A criação, na visão basiliana, não é apenas quantidade, mas sobretudo um sinal da Sabedoria divina.

O que me chamou a atenção para isso foi este trecho da primeira homilia de seu Hexameron, que releio agora em sua edição física:

“No que diz respeito à terra, estamos convencidos de que não devemos dedicar-nos a investigações indiscretas com o fim de saber qual é sua essência e de esforçar-nos em decifrar, por meio de raciocínios, o que jaz sob as aparências. Não busquemos uma substância desprovida de qualidades, a qual por si mesma existiria sem nenhuma propriedade, mas saibamos que tudo o que vemos nela concorre para dar-lhe existência, completando sua essência. Se, pela razão, esforçares-te em descartar cada uma das qualidades que nela subsistem, enfrentar-te-ás com o vazio. Pois, se fazes abstração do negro, do frio, do pesado, do denso, do gosto e de todas as outras [qualidades] que se podem observar nela, o que resta seria nada.”

Ora, com a ciência moderna, a substância sensível, concreta, foi esvaziada de suas qualidades ricas e reduzida a extensão, massa, movimento, algo formalizável em equações . No fundo, isso não conduz a um “substrato sem qualidades”? A um “x” que sustenta relações matemáticas, mas do qual nada sabemos, exceto sua mensurabilidade? (Heisenberg chegou a isso).

Basílio já advertia, com séculos de antecedência, contra a tentação de tentar penetrar a "essência última" da matéria por especulações “indiscretas”, isto é, investigações puramente abstratas e à margem da experiência. Ele rejeitou de antemão a ideia de que seria possível chegar a uma "substância sem qualidades", algo absolutamente nu de propriedades. A essência da terra, portanto, não estaria escondida por trás das qualidades, mas seria justamente constituída por elas. O visível e o palpável não seriam meras aparências enganadoras, mas modos reais de existência.

Não por acaso, ele advertiu: “Se, pela razão, esforçares-te em descartar cada uma das qualidades que nela subsistem, enfrentar-te-ás com o vazio. Pois, se fazes abstração do negro, do frio, do pesado, do denso, do gosto e de todas as outras [qualidades] que se podem observar nela, o que resta seria nada.”

Ou seja, a "terra", para Basílio, é inseparável das suas propriedades. O mundo criado não é uma ilusão, mas uma realidade dotada de consistência e beleza, cuja verdade se encontra justamente em suas propriedades sensíveis. Essa visão basiliana reforça a bondade da criação: tudo aquilo que vemos e experimentamos é uma participação no ser, dado por Deus. A criação, neste sentido, não precisa ser reduzida a uma essência abstrata oculta; ela é plena em sua MANIFESTAÇÃO CONCRETA. A essência do mundo criado não é uma abstração separada das qualidades, mas o conjunto delas, que nos remete ao Criador.

É óbvio que Basílio estava criticando uma tendência bastante comum entre alguns autores do mundo antigo, que reduziam a realidade natural a princípios abstratos, esquecendo o caráter concreto e criado do cosmos. Penso que a crítica aos modernos encaixa-se como antecipação porque ele rejeita que a natureza seja apenas número, proporção ou estrutura sem qualidade.

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