Continuando com nossas tradicionais listas de livros sobre Educação, já chegamos à quinta parte. Essas listas tem sido um sucesso de acessos. Muito Obrigado. O critério destas listas continua sendo o mesmo: livros sobre educação sem influências ideológicas e que estivessem preocupados em explanar sobre uma verdadeira educação. Novamente muitos desses livros foram publicados pela primeira vez ou republicados recentemente no Brasil. Obviamente esta lista complementa e amplia as listas anteriores.
A Tradição Das Artes Liberais. Kevin Clark e Ravi Scott Jain, Edições Kírion, 2021.
Sinopse: Este livro é sobre uma educação completa nas “artes liberais”, as disciplinas fundamentais que os estudantes terão como base pelo resto de sua vida acadêmica, independentemente das disciplinas especializadas que venham a estudar no futuro, na faculdade e na pós-graduação. Acima de tudo, são disciplinas que precisamos conhecer para a vida, para uma vida que seja livre e não servil (donde o termo educação liberal). É uma educação da pessoa integral. Baseia-se na tradição consagrada da educação liberal inventada pelas maiores mentes da história. É o melhor do antigo e o melhor do novo. ― Peter Kreeft
Todo educador, acadêmico ou leitor interessado na renovação da educação clássica hoje não pode dar-se ao luxo de ignorar este livro sucinto. A tradição das artes liberais, talvez mais do que qualquer outro livro no século XXI, nos diz o que foi a educação clássica e o que ela pode ser hoje nas nossas escolas e na educação domiciliar. ― Christopher Perrin
A tradição das artes liberais é um grande presente para as mães adeptas da educação domiciliar. Escrito com beleza, tem cada página agraciada pelo encanto da verdade. Um antídoto para a minha própria educação progressista, este livro reordenou os meus pensamentos e prioridades. Trata-se de um convite irresistível para voltarmos à humanidade, à plenitude e ao maravilhamento. ― Lesli Richards
A Beleza na Palavra: As bases da educação repensadas. Stratford Caldecott, Edições Kírion, 2024.
Sinopse: Stratford Caldecott fala àqueles pais e professores que pretendem tomar de volta para si a responsabilidade sobre a educação, seja tirando seus filhos das escolas para educá-los em casa, seja, especialmente, fundando novas escolas, que tenham na base os seus princípios, os seus valores, que tenham respeito pela fé e, como objetivo último, a sabedoria. Para isso, é necessário compreender as premissas que tornam possível uma verdadeira educação e, sobretudo, compreender a essência da educação clássica, para saber como aplicá-la, como atualizá-la eficazmente em nossa situação concreta de hoje, e não apenas reproduzir esquemas engessados. Investigando suas bases filosóficas e teológicas, Caldecott brinda-nos aqui com uma interpretação renovada das três artes do Trivium, as artes da Palavra ― gramática, dialética e retórica ―, que ele apresenta como as três atividades humanas (e divinas) de “recordar”, “pensar” e “falar”.
“Essa é uma educação firmada na realidade ― a realidade do mundo e das pessoas. A criança, pela memória, percebe a realidade; mais velha, pelo pensamento, explora mais realidades; já jovem, pela fala, ela compartilha as realidades com os outros, em uma comunidade. É uma educação em que a luz atravessa o coração e a inteligência. Depois de uma longa jornada nas profundezas da monotonia e do desânimo, é como se esse sábio e alegre homem finalmente nos chamasse para subir e ver com ele, outra vez, as estrelas.”
― Anthony Esolen
A educação segundo Aristóteles. Traduzidos e editados por John Burnet. Edições Kírion, 2023.
Sinopse: Este volume é composto por trechos extraídos da Ética a Nicômaco e da Política de Aristóteles, editados e traduzidos pelo grande helenista escocês John Burnet, que os emoldura, além disso, com uma esclarecedora introdução e com riquíssimas notas de rodapé. Seu objetivo é revelar, com toda precisão, o que é a educação segundo Aristóteles, e que lugar ela tem no contexto geral de sua filosofia, com base em suas próprias concepções. Para tal, ele expõe a teoria das causas, e os conceitos de ação, virtude e felicidade; explana qual é, para o filósofo, o bem do homem, e o que é exatamente a ciência política. Como admirável professor, Burnet nos conduz de tal modo que, quando nos entregamos à leitura dos textos mesmos, o que antes pareceria árido deixa transparecer facilmente todo o seu sentido.
Emburrecimento Programado: O Currículo Oculto Da Escolarização Obrigatória. John Taylor Gatto, Edições Kírion, 2019
Sinopse: O debate atual sobre termos um currículo nacional é uma farsa. Já temos um currículo oculto cujo objetivo é emburrecer, e nenhuma mudança nos conteúdos pode reverter seus efeitos macabros. As escolas ensinam exatamente o que pretendem, e o fazem muito bem: elas são um mecanismo de engenharia social. Está na hora de encararmos o fato de que a escola obrigatória é nociva para as crianças e que fazer remendos não resolverá o problema. A culpa não é dos professores ruins ou da falta de investimento: injetar mais dinheiro ou mais gente nessa instituição doente fará apenas com que ela fique ainda mais doente. Se queremos mudar o que está rapidamente se transformando num desastre de ignorância, temos de compreender que a instituição escolar serve para “escolarizar”, mas não para “educar”, e que “educar” e “escolarizar” são termos mutuamente excludentes. É urgente ignorarmos as vozes autorizadas da televisão e da mídia e recuperarmos as premissas fundamentais de uma verdadeira educação.
Armas De Instrução Em Massa. John Taylor Gatto, Edições Kírion, 2021.
Sinopse: Será que precisamos mesmo da escola? Não me refiro à educação, mas à instrução institucional: seis aulas por dia, cinco dias por semana, nove meses por ano ― por doze anos. Essa rotina extenuante é realmente necessária? É considerável o número de homens notáveis ― artistas, empresários, escritores e eruditos ― que não passaram por esses torturantes anos e se deram muito bem. Alguém os ensinou, é claro, mas eles não são produtos de um sistema escolar, e nenhum deles jamais “se formou”. Nós fomos instruídos a pensar que “sucesso” é sinônimo de “escolaridade”, mas isso não é historicamente verdadeiro, nem no sentido intelectual, nem financeiro. Se realmente quiséssemos, seria fácil ajudar as crianças a adquirirem uma educação em vez de apenas receberem uma instrução em massa. Mas os professores, como funcionários da escola, estão presos em estruturas ainda mais rígidas do que aquelas que impõem às crianças. De quem é a culpa, então? E se não houver um “problema” com as nossas escolas? E se elas são como são, não porque estão fazendo algo errado, mas por estarem acertando?
Etymologiae: De Isidoro de Sevilha, Traduzido por Ariel Placidino Silva, Editora Uiclap 2023.
Sinopse: A monumental Etymologiae de Isidorus Hispalenses, na íntegra e em volume único. Em colunas paralelas dispondo o texto original e sua tradução, a obra é uma edição bilíngue apresentada como a única em língua portuguesa. | “Isidoro de Sevilha, salientando-se como enciclopedista, teólogo e historiador, escreveu A Etymologiae, qual durante séculos, foi tida por uma das mais valiosas obras de referência. A póstumo, esse notável acervo de conhecimento tornou-se uma coleção obrigatória nas bibliotecas medievais, e suas etimologias se transmitiram até o fim do século XIV. “ ― Ariel P. S.
Isidoro de Sevilha, em lat. Isidorus Hispalenses, doutor da Igreja, nasceu em Cartagena c, 560 e morreu em Sevilha em 636. Sucessor de seu irmão Leandro como arcebispo de Sevilha 600). Presidiu em 633 um concilio em Toledo. Salientando-se como enciclopedista, teólogo e historiador, reuniu em Etymologiae notável acervo dos conhecimentos de seu tempo, o que as tornou durante séculos, uma das mais valiosas obras de referência. Além de autor de vários tratados, nos campos da linguística, da ciência natural, da história e da cosmologia, foi o organizador da Igreja da Espanha e combateu os visigodos arianos. Proclamado doutor da Igreja em 1722, é festejado a 4 de abril.
Etymologiae (Etimologias) é uma enciclopédia em vinte volumes. Segundo Isidoro, a natureza primitiva e a essência das coisas se reconhecem pela etimologia dos nomes que as designam. A enciclopédia de Isidoro era obrigatória nas bibliotecas medievais, e suas etimologias se transmitiram até o fim do século XIV. Essa obra monumental abrangia desde a gramática, a retórica, e a dialética, passando pelas línguas, pelos povos, Estados, famílias, a agricultura, a horticultura a marinha, o vestuário, as artes domésticas, os instrumentos, até os membros da Igreja, os anjos e Deus.” Encyclopaedia Brtinannica do Brasil [Mirador] ― Filosofia Patrística (35.-1).
Fundamentos e Fins da Educação. Francisco Ruiz Sánches. Editora Verbo Encarnado, 2025.
Sinopse: um livro essencial que denuncia ideologias totalitárias na educação e apresenta uma filosofia realista baseada em Santo Tomás de Aquino.
Reflexão perene para pais e educadores que buscam verdade, objetividade e transcendência no ensino.
Fundamentos e Fins da Educação
Este livro, justamente por conter uma filosofia realista sobre o homem e a educação, conserva seu valor perene numa época de enorme confusão. Uma época em que, em muitos lugares, o Estado moderno se erige autoritário, impondo um pensamento único sobre educação, até mesmo negando aos pais esse direito sobre os filhos. Manifestação esta do totalitarismo marxista na educação – fortemente denunciado neste livro – tendo seu auge na segunda metade do século passado, e que hoje, subjacente, procura se impor disfarçado com outros nomes que nada mais são do que desdobramentos do mesmo marxismo, tais como o feminismo radical, o transumanismo ou a famigerada “teoria de gênero” ou gender.
O valor perene do pensamento contido neste livro reside no fato de se fundamentar na filosofia do ser, tendo Santo Tomás de Aquino como seu principal guia, cuja eleição como mestre lhe confere precisamente um caráter objetivo, universal e transcendente. Porque o pensamento de Santo Tomás esteve sempre no horizonte da verdade universal, objetiva e transcendente.
Educação Católica. Mario Casotti, Editora Verbo Encarnado, 2022
Sinopse: Neste livro, Mário Casotti vai na contramão da corrente relativista em voga na educação de hoje em dia. Em Educação Católica, o autor parte do princípio de que a fé representa um aspecto essencial do homem e não somente uma relação de confiança, pois inclui realmente a aceitação das verdades reveladas por Deus. Agora, se a educação é uma atividade que visa a formação do ser humano na Verdade, todo sistema pedagógico que exclua a fé e as verdades reveladas será, por definição, incompleto.
Mestre e Aluno. Mário Casotti, Editora Verbo Encarnado, 2025.
Sinopse: análise profunda da educação moderna, denunciando ideologias totalitárias e defendendo a liberdade dos pais.
Baseado na filosofia de Santo Tomás de Aquino, oferece uma visão objetiva e universal para formar mentes e corações em busca da verdade.
Mestre e Aluno
Mário Casotti é, sem dúvidas, um dos maiores representantes da pedagogia contemporânea italiana. Seu grande mérito foi o de reconduzir a arte pedagógica aos fundamentos ontológicos, antropológicos e gnosiológicos da filosofia perene de Santo Tomás de Aquino. Transcorridos, porém, quase 50 anos de sua morte, seu fecundo pensamento e sua vasta obra caíram em um quase que total esquecimento. Parece que a boa semente terminou sufocada pelos pedregulhos e pelos espinhos do mundo impregnado de tantas ideologias que descendem, de um modo ou de outro, do materialismo e do idealismo.
Essa semente, contudo, não morreu. Ela permanece dormente aguardando uma terra fértil para poder dar seus frutos. Deus permite o mal, dispondo em sua providência que dele redunde um bem muito maior. Os estragos que o pensamento moderno e pós-moderno causaram parecem ter sido também a ocasião para um renovado interesse no pensamento do Doutor Angélico que estamos presenciando nos últimos anos. Um renascimento das cinzas que tem mostrado inclusive aqui, na Terra de Santa Cruz, um ímpeto notável.
Escritos Pedagógicos, de São João Bosco. Editora Verbo Encarnado, 2025.
Sinopse: Os escritos pedagógicos de São João Bosco constituem um tesouro inestimável para a Igreja e para o mundo da educação. Neles, o Santo não apenas deixou um método educativo, como também um espírito, uma forma de entender a vida e a missão de guiar os jovens para o bem, a verdade e a beleza. Sua obra transcende o tempo e continua a iluminar o caminho de todos aqueles que se dedicam à nobre missão de educar.
Dom Bosco acreditava firmemente que a educação deveria ser integral, formando não apenas o corpo e a mente, como também o coração e a alma. Como afirma São João Paulo II, “a tarefa primária e essencial da cultura em geral, e mesmo de cada cultura em particular, é a educação, que consiste em fazer com que o homem seja cada vez mais homem, que possa ‘ser’ mais e não apenas ‘ter’ mais” (Carta Iuvenum Patris, n. 1). Para Dom Bosco, o homem formado e maduro é o cidadão que tem fé, aquele que coloca no centro de sua vida o ideal do novo homem proclamado por Jesus Cristo, e que testemunhe sem respeito humano, suas convicções religiosas.
Educação, Cultura e Maturidade. Miguel Ángel Fuentes, Editora Verbo Encarnado, 2022.
Sinopse: A Educação Pede Socorro. O Brasil nunca precisou tanto de obras que tratassem do tema educação como agora. Todos os anos, bilhões de reais investidos nesta área são jogados no lixo por causa da falta de uma verdadeira educação.
Os alunos saem dos centros educacionais reféns de um analfabetismo funcional e dos delírios de uma mente ideologizada. Nenhum dos sistemas educacionais em vigor propõe uma formação integral do ser humano.
Neste livro você aprenderá os princípios de uma verdadeira educação católica.
Educação, Cultura e Maturidade, de Pe. Miguel Ángel Fuentes, IVE
Além de tratar da educação e da maturidade, em Educação, Cultura e Maturidade, o Pe. Miguel Ángel Fuentes pretende explicar as raízes históricas e pedagógicas do problema da educação contemporânea e propor sua solução: o retorno à boa e sã filosofia, iluminada pela teologia.
Um bom método de estudo que desenvolva a integridade da pessoa humana é a chave para fazer com que o homem se reencontre consigo mesmo e, sobretudo, com Deus.
A imaginação educada. Northrop Frye, Editora Sétimo Selo, 2024.
Sinopse: Nenhuma sociedade humana é tão primitiva que não tenha alguma espécie de literatura. No entanto, é muito comum pensar no estudo literário como um métier elegante. Afinal de contas, o que é a literatura? De que adianta e como ensiná-la? Qual é seu valor social, político e religioso? Ajuda ela a pensar com mais clareza, a perceber com mais sensibilidade ou a viver melhor? Qual é o lugar da imaginação no processo de aprendizagem? E mais importante: é possível educar a imaginação? São estas e outras perguntas a que Northrop Frye, um dos influentes críticos literários do século XX, procura responder. Mais do que dicas pontuais, o leitor encontrará neste livro uma concepção abrangente de educação, de literatura e de mundo, capaz de orientar um processo pedagógico desde o início.
Educação Católica e Homeschooling. Kimberly Hahn e Mary Hasson, Editora Ecclesiae, 2021.
Sinopse: Unido a teoria e a prática, o secular e o sagrado, este livro compreende desde o planejamento e o conteúdo do ensino domiciliar, com sugestões de métodos e materiais, até a formação espiritual das crianças no seio da família. As autoras explicam os benefícios e objetivos do homeschooling, além de responderem aos principais questionamentos sobre ele. Elaborada por duas mães educadoras de comprovada experiência, a obra é um guia de como os pais podem edificar seu lar de modo que seus filhos estabeleçam um relacionamento pessoal com Deus, em primeiro lugar, e recebam a melhor formação humana e intelectual possível.
Educação Católica: guia para pais e educadores. John D. Redden e Francis A. Ryan, Editora Minha Biblioteca Católica, 2026. [Este livro foi publicado pela Livraria Agir Editora em 1973 sob o título de Filosofia da Educação].
Sinopse: Educação Católica Educação Católica: guia para pais e educadores | Filosofia da educação católica. Livro de John D. Redden e Francis A. Ryan sobre os fundamentos da educação católica. Indicado para pais e educadores interessados na formação segundo a tradição da Igreja.
Educação Católica: guia para pais e educadores, de John D. Redden e Francis A. Ryan, é uma obra clássica que apresenta com clareza e profundidade os fundamentos da educação inspirada na tradição católica. Baseado na filosofia escolástica e na compreensão integral do ser humano, o livro mostra como a formação cristã deve abranger corpo, inteligência, vontade e vida espiritual, orientando o educando para sua finalidade última em Deus.
Ao longo de suas páginas, os autores explicam por que a educação não pode ser reduzida a técnicas pedagógicas ou a teorias modernas passageiras. Para eles, toda educação depende de uma visão verdadeira do homem e da realidade. A partir dessa perspectiva, a obra apresenta os princípios permanentes da filosofia católica da educação e analisa criticamente correntes modernas que reduzem o homem a dimensões apenas biológicas, sociais ou econômicas.
Os autores também demonstram que a educação católica busca formar o homem integral, desenvolvendo harmoniosamente todas as suas capacidades. Por isso, a verdadeira educação não se limita à instrução intelectual: ela envolve também a formação moral, espiritual e cultural, preparando o indivíduo para viver a verdade, praticar a virtude e contribuir para o bem comum.
Trata-se, portanto, de um livro especialmente valioso para pais e educadores que desejam compreender a missão formativa da educação à luz da fé católica e da tradição filosófica cristã.
Quem foram John D. Redden e Francis A. Ryan
John D. Redden (1903–1959) e Francis A. Ryan (1887–1955) foram educadores e pensadores católicos dedicados ao estudo da filosofia da educação. Atuaram na formação de professores e na reflexão pedagógica no meio acadêmico ligado à tradição católica nos Estados Unidos.
Seus estudos buscaram integrar a tradição filosófica clássica — especialmente a herança aristotélico-tomista — com os desafios educacionais da sociedade moderna. A obra tornou-se uma referência importante para escolas, universidades e programas de formação docente interessados em compreender a educação à luz da tradição cristã.
A Mente Bem Treinada: Um Guia Para Educação Clássica Em Casa. Susan Wise Bauer e Jessie Wise, Editora Klasiká Liber, 2021.
Sinopse: Após quarenta anos de experiência em educação, Jessie e Susan Wise chegaram a uma simples conclusão: se você deseja que seu filho tenha uma educação excelente, precisa assumir o comando pessoalmente. Você não tem de reformar o sistema escolar inteiro, nem deve se preocupar com o falatório sobre a complexidade da formação de um professor. Tudo o que você tem de fazer é ensinar seu próprio filho. Esqueça tudo o que ouviu sobre a necessidade absoluta das salas de aula e sobre psicopedagogia: essas coisas são necessárias para um professor que tem de encarar uma turma de trinta crianças em ebulição ou de vinte adolescentes desligados, mas a sua tarefa é inteiramente diferente. Tudo que você precisa para ensinar seu filho em casa é dedicação, algum conhecimento básico sobre como as crianças aprendem, uma boa orientação nas habilidades específicas de cada matéria e uma grande quantidade de livros. “A mente bem treinada” oferece tudo isso a você ― exceto a dedicação. Eis um manual completo de educação clássica, que o ajudará a ensinar seus filhos a ler, escrever, calcular, pensar e entender.
A educação medieval segundo o Diário de um estudante, escrito por Walafried Strabo (806-849)
Não são poucas as vezes que podemos nos deparar com a declaração “A igreja privou o conhecimento na idade média”, essa postura quase orquestrada é bastante comum tanto em sala de aula do ensino fundamental e médio, quanto dentro de uma universidade. E o pior, a curiosa afirmação é dita constantemente por professores que ocupam a cadeira de medieval na academia. Não tenho a intenção com o presente trabalho de ser um advogado da igreja, porém busco defender o homem medieval das acusações injustas que vem sendo levantadas. Visto que a maioria destes docentes ao serem indagados por algum aluno sobre a posição da Igreja como aquela que privava a educação afim de obter poder, não realizam nenhuma intervenção corretiva e acabam por reforçar essa ideia obscurantista.
A primeiro questionamento necessário é saber o que representava a educação em um mosteiro para um cidadão comum na idade média. Cesário de Arles (c. 470-542), nascido em Chalon-sur-Saône, filho de burgúndios pobres, ao recordar da educação que recebeu na infância diz:
“Essa ilha santa acolheu minha pequenez nos braços de seu afeto. Como uma mãe ilustre e sem igual e como uma ama-de-leite que dispensa a todos os bens, ela se esforçou para me educar e me alimentar.”
Essa obra é analisada no artigo Valorización y educación del Niño en la Edad Media, op. cit., p.22. Pode-se perceber que o mosteiro é considerado por Cesário como uma mãe que se esforçou para educá-lo e alimentá-lo. O carinho e a felicidade que são apresentados por estas palavras não é de nos surpreender visto que na Idade Média, a Educação era vista como um instrumento para se alcançar a Sabedoria, que consequentemente, levaria o homem à Felicidade, um bem desejado por si mesmo e mais perfeito que todos os outros bens (al-Farabi, 2002: 43-44). Tal sabedoria ao contrário do que é alegado estende-se a um vasto campo de conhecimento, evitando limitar-se apenas ao conhecimento religioso, afinal dentro dos mosteiros os estudantes eram orientados a considerar importante todo o conhecimento científico [1]. A base do currículo educacional medieval foi dada pela obra O casamento da Filologia e Mercúrio, do cartaginês Marciano Capela, escrita por volta de 410-427. Nela, o autor, influenciado pela enciclopédia de Varrão (Sobre as Nove Disciplinas), tratou das Sete Artes Liberais, damas de honra daquele casamento: 1) Gramática, 2) Retórica, 3) Dialética, 4) Aritmética, 5) Geometria, 6) Astronomia e 7) Harmonia. Marciano Capela deixou de lado a Medicina e a Arquitetura, por tratarem de coisas terrestres que “…não têm nada em comum com o céu.” (Citado em Nunes, 1979: 75). Então, fica claro e evidente que na idade média não se aprendia nos mosteiros apenas a repetir orações, rezar salmos e ler a bíblia, embora todas essas atividades fossem fundamentais para a vida dos homens desse período.
Gostaria de analisar neste momento a obra Diário de um estudante de Walafried Strabo que é o objeto deste trabalho. É necessário se ater ao que está escrito e perceber cada palavra respeitando seus significados afim de entender o que de fato o autor quer nos transmitir sobre a sua vida estudantil, suas expectativas, desafios e conquistas:
“Eu era totalmente ignorante e fiquei muito maravilhado quando vi os grandes edifícios do convento (…) fiquei muito contente pelo grande número de companheiros de vida e de jogo, que me acolheram amigavelmente. Depois de alguns dias, senti-me mais à vontade (…) quando o escolástico Grimaldo me confiou a um mestre, com o qual devia aprender a ler. Eu não estava sozinho com ele, mas havia muitos outros meninos da minha idade, de origem ilustre ou modesta, que, porém, estavam mais adiantados que eu. A bondosa ajuda do mestre e o orgulho, juntos, levaram-me a enfrentar com zelo as minhas tarefas, tanto que após algumas semanas conseguia ler bastante corretamente (…) Depois recebi um livrinho em alemão, que me custou muito sacrifício para ler mas, em troca, deu-me uma grande alegria…”
Os grifos são meus, tenho a intenção de deixar em evidencia alguns trechos que chamam a atenção e por si respondem a algumas questões que insistentemente são apresentadas. Strabo reconhece que ao chegar ao mosteiro era completamente ignorante e ficou admirado com toda a estrutura que havia encontrado, foi bem recebido por um grande número de companheiros. Importante é a afirmação de que ele não estava sozinho, que havia muitos outros estudantes da mesma idade que ele, alguns de origem nobre e outros de procedência humilde. Por isso a afirmação de que a entrada no mosteiro era para poucos e principalmente apenas para os nobres deve ser colocada em dúvida diante deste relato. Aquilo que o jovem Strabo conquistou – aprender a ler – é uma realidade possível de se alcançar por “muitos” e sobretudo, pelos mais pobres dessa sociedade, segundo o autor, a admissão nesse ambiente pedagógico era amplo e sem descriminação de condição social. Outro dado que é possível notar é a eficácia deste sistema que fez com que o menino aprendesse a ler em um curto espaço de tempo. Logo, o latim que é tão impossível e difícil de aprender como dizem alguns, se tornou muito fácil para o menino, ou seja, deve-se assumir uma entre estas duas coisas: ou o modelo pedagógico dos mosteiros era muito eficiente, ou o latim não é um bicho de sete cabeças e os que afirmam isso no fundo só querem colocar obstáculos afim de conseguir dizer que os homens na idade média eram verdadeiramente ignorantes e não conseguiam ler devido à dificuldade do idioma. Seja qual for a alternativa escolhida outra questão que devemos observar é que não se ensinava apenas latim dentro de um mosteiro, e fica demonstrado que embora o aprendizado do idioma latino possa ter sido verificado, havia também o incentivo à leitura do alemão e, podemos considerar que provavelmente também, de outros idiomas. Deste modo, é possível verificar que as pessoas não deixaram de aprender a ler por seus livros serem em latim ou somente em latim. Conforme relata em seu diário o estudante Strabo, o aprendizado e o acesso à leitura era possível e motivo de grande alegria.
Fontes Primárias
AL-FARABI. El camino de la felicidad (trad., introd. y notas de Rafael Ramón Guerrero). Madrid: Editorial Trotta, 2002.
Bibliografia
[1] COSTA, Ricardo da. “A Educação Infantil na Idade Média”. In: LAUAND, Luiz Jean (coord.). VIDETUR 17. Porto: Universidade do Porto / USP, 2002, p. 13-20.
DE CASSAGNE, Irene (PUC – Buenos Aires – Argentina). Valorización y educación del Niño en la Edad Media, p. 20 (artigo consultado no site http://www.uca.edu.ar)
MANACORDA, Mario Alighiero. História da Educação – da Antigüidade aos nossos dias, op. cit., p. 135.
NUNES, Rui Afonso da Costa. História da Educação na Idade Média, op. cit., p. 157-159 (SÖHNGEN, C. J. De medii aevi puerorum institutione in occidente. Diss. Amsterdam 1900).
Detalhe de São Vicente Ferrer em Virgem apocalíptica e São Vicente Ferrer com dois doadores, por Pedro García de Benabarre - Museu Nacional de Arte da Catalunha, Barcelona (Espanha).
RECEBA NOSSAS ATUALIZAÇÕES
DIGITE SEU EMAIL:
Verifique sua inscrição no email recebido.
Tempo de leitura: 63 minutos.
A sapientia christiana e a analogia das artes liberais em um Sermão de São Vicente Ferrer (1350-1419), por Gustavo Cambraia Franco e Ricardo da Costa In: CORTIJO OCAÑA, Antonio; MARTINES, Vicent (orgs.). Mirabilia/Medtrans 04 (2016/2). New Approaches in the Research on the Crown of Aragon, p. 01-26. Disponível no LINK.
***
Resumo: O presente artigo contém uma exposição e análise do tema das Artes Liberais em um sermão de São Vicente Ferrer, renomado pregador dominicano valenciano da passagem entre os séculos XIV e XV. Pretende-se demonstrar que as Artes Liberais são abordadas pelo sermonista dentro do escopo teórico tradicional da classificação das ciências no período medieval, como ramos de conhecimento destinados ao serviço da ciência maior, a Teologia, a valer-se da máxima escolástica philosophia ancilla theologiae. A exposição do autor segue os princípios didáticos medievais do pensamento analógico, da hermenêutica figurativa e da exegese alegórica da Bíblia, mediante os quais enreda os significados e propriedades de cada ciência ou Arte Liberal, quais sejam, a Gramática, a Lógica e a Retórica, ciências do Trivium, e a Música, a Aritmética, a Geometria e a Astrologia, ciências do Quadrivium, em uma teia de relações metafóricas e analógicas que visam, ao fim, conferir um sentido e utilidade espiritual, religiosa e moral à cada uma delas e subordiná-las ao domínio régio da sapientia christiana.
Abstract: This article contains an exposition and an analysis on the theme of the Liberal Arts in a sermon of Saint Vincent Ferrer, renowned Dominican Valencian preacher during the passage between the fourteenth and fifteenth centuries. We intend to show that the Liberal Arts are addressed by the sermonist within the traditional theoretical scope of classification of sciences in the medieval period, as branches of knowledge for the service of the higher science, Theology, to avail the scholastic dictum philosophia ancilla theologiae. In his exposition, the author follows the medieval didactic principles of analogical thinking, the figurative hermeneutics and the allegorical exegesis of the Bible, by which he ensnares the meanings and properties of each science or Liberal Art, namely Grammar, Logic and Rhetoric, the Trivium sciences, and Music, Arithmetic, Geometry and Astrology, Quadrivium sciences, in a web of metaphorical and analogical relations aimed, at the end, to confer spiritual, religious and moral meaning and utility to each of them, as well as subordinate them to the royal domain of the sapientia christiana.
Palavras-chave: São Vicente Ferrer – Artes Liberais – Pensamento Analógico – Sermão Medieval – Ciência Medieval.
Keywords: Saint Vincent Ferrer – Liberal Arts – Analogical Thinking – Medieval Sermon – Medieval Science.
I. Introdução
Vicente Ferrer (1350-1419), renomado pregador dominicano de Valência, na Catalunha medieval, consagra um de seus sermões integralmente a tratar das Artes Liberais, a partir de uma estruturação quase matemática (e poética) de seus conteúdos. As sete disciplinas profanas e básicas do currículo escolar medieval são comparadas pelo pregador à Prudentia cristã, não sem motivo a primeira das quatro virtudes morais clássicas, relacionadas, no sermão, à ciência e sabedoria de Cristo [1].
Para compreender seus postulados sobre a matéria devemos inseri-los no quadro geral da perspectiva medieval acerca da noção de scientia e das ciências como um todo, bem como das transformações que o conceito de Artes Liberais experimentou durante a Idade Média, sobretudo a partir do século XIII, em um momento no qual o quadro geral das disciplinas tradicionais e as noções filosóficas acerca da ciência e do saber passavam por um câmbio radical.
II. As sete Artes Liberais no contexto da ciência medieval
Desde Santo Agostinho (354-430) [2], a tradição intelectual ocidental cristã concedeu um lugar privilegiado às chamadas Artes Liberais e aos saberes profanos no sistema de educação cristã e em seu programa de estudos, como etapas propedêuticas ao estudo da Sagrada Escritura. A organização dos estudos nas escolas medievais obedecia ao padrão que havia sido estabelecido por Santo Agostinho.
Até o século XII, o currículo de ciências profanas se limitava ao estudo das sete Artes Liberais como etapa preparatória ao conhecimento e exegese da Bíblia, ou seja, a leitura e interpretação crítica da divina pagina [3]. Apenas no século XIII é que as antigas escolas de artes liberais se transformaram em faculdades de artes liberais (facultas artium), uma seção das universidades na qual se ensinava as sete artes e na qual os estudantes recebiam uma formação literária e científica ordenada aos estudos superiores da Filosofia, da Teologia, do Direito e da Medicina.
As Artes Liberais não constituíam, com efeito, as únicas ciências profanas a fazer parte do amplo cabedal de disciplinas científicas na Idade Média. Santo Agostinho já havia numerado uma grande quantidade de matérias que formalmente deveriam fazer parte da formação intelectual cristã e que eram úteis no aprofundamento dos estudos bíblicos: línguas, ciências naturais, Aritmética, Música, História, Geografia, Botânica, Geologia, Astronomia, as Artes Mecânicas, Dialética, Retórica, Matemática, doutrinas filosóficas relativas à moral e a religião.
Boécio (c. 480-525) [4], que conhecia profundamente a estrutura completa da filosofia aristotélica, escreveu importantes tratados relativos à Dialética e ao Quadrivium e, a partir dele, a importância das Artes Liberais se acentuou no Ocidente. Escritores como Cassiodoro (485-580) [5], autor de De artibus ac disciplinis liberalium litteratum, Isidoro de Sevilha (556-636) [6] e suas Etimologias e João Escoto Eriúgena (815-877) [7], em seu Divisione naturae inseriram as sete artes no quadro geral da sabedoria filosófica que, em suma, era propriamente a sabedoria cristã que havia absorvido da cultura pagã seus recursos de investigação racional, postos agora à serviço da contemplação divina e da Palavra de Deus [8].
Antes do século XIII, nos ambientes do claustro monástico e das escolas catedralícias episcopais, as Artes Liberais e disciplinas profanas eram claramente concebidas como estudos meramente preparatórios ao estudo da scientia divina, considerada o cume da sabedoria. Entendia-se as Artes Liberais como diferentes divisões da Filosofia, essa considerada o conjunto e síntese completa do saber profano, em oposição à ciência sagrada. Os ramos básicos da Filosofia eram aqueles propostos e aprovados por Santo Agostinho e Orígenes (c. 185-253) [9], uma divisão tripartida em física, ética e metafísica/teologia.
A subordinação, portanto, das Artes Liberais às disciplinas superiores era de ordem pedagógica, pois deviam ser estudadas antes delas, de modo a preparar os espíritos e a inteligência para o ingresso intelectual em matérias mais difíceis.
No entanto, após a introdução no Ocidente das obras traduzidas de Aristóteles (384-322 a. C.) [10] e de sua adaptação ao currículo universitário medieval, um choque inevitável entre a cultura pagã renascente e a cultura da revelação cristã ocorreu novamente no meio acadêmico sob os olhares da autoridade eclesiástica.
Os medievais questionavam se, fato, era possível aderir a uma síntese de saber racional profano tal como fora concebido na Antiguidade grega, sem que por isso se arruinasse a unidade do saber e da inteligência cristã e o compromisso intelectual e espiritual com o primado do saber sagrado [11], o que espíritos e gênios mais equilibrados do medievo souberam pacientemente, e a seu tempo, resolver.
A assimilação das ciências e do saber profano foi possível, no plano teórico, mediante o trabalho de classificação e ordenamento hierárquico das ciências. Os medievais aspiravam e tinham uma necessidade de universalidade, de unidade e de ordem que se refletia não apenas na política e na organização social, mas também na ciência [12].
Inúmeros autores procederam em suas obras a determinados tipos de classificação das ciências e do saber, como é o caso, por exemplo, de Hugo de São Vítor (1096-1141) [13], de Roberto Grosseteste (1168-1253) [14], de Santo Tomás de Aquino (1225-1274) [15], São Boaventura (1221-1274) [16], Ramon Llull (1232-1316) [17], Duns Scot (1266-1308) [18] e Dante Alighieri (1265-1321) [19], que também se refere à classificação das ciências no início de seu tratado De Monarchia e no Convivio [20]. Todos eles buscaram, de alguma forma, ordenar os ramos do conhecimento e estabelecer sua finalidade e propósito.
Embora autores como Santo Tomás de Aquino tivessem estabelecido o grau de independência metodológica própria da Filosofia, a classificação das ciências e dos saberes profanos obedecia a uma busca de harmonia orgânica e vital com a mentalidade geral da época, sobretudo no que diz respeito à sua ordenação e submissão à Teologia.
Havia uma clara distinção hierárquica feita entre a Filosofia (Humana scientia), que incluía as Artes Liberais, e a Teologia, a ciência sagrada (Divina scientia) ou a ciência da Revelação contida nos livros sagrados (Divina Scriptura), em uma ordem de apreciação na qual a “ciência humana” estava subordinada, como um meio instrumental, à “ciência divina”, considerada o fim de seu(s) objeto(s).
Aceitava-se a ideia de uma sapientia ou sabedoria humana e racional distinta da sapientia christiana, a qual, por sua vez, detinha o primado na ordem do saber. Nesse sentido, as Artes Liberais e todos os outros ramos da Filosofia não podiam se constituir em um saber integral e suficiente, mas eram unicamente etapas, meios e instrumentos destinados ao serviço da ordem teológica e da visão cristã do universo, da qual estavam impregnados os homens e a cultura do medievo [21].
Francesco de Stefano, Il Pesellino (1422-1457). As Sete Artes Liberais (c. 1450). Têmpera no painel. 41,6 x 147,3 cm. Birmingham Museum of Art, Alabama. As artes do Quadrivium (Aritmética, Geometria, Música e Astrologia) e as do Trivium (Lógica, Retórica e Gramática) aparecem neste painel decorado personificadas por figuras femininas, cada qual a segurar os objetos particulares de sua ciência, e sentadas sobre mestres e sábios da antiguidade e do medievo. No período medieval, as Artes Liberais formavam as disciplinas profanas de caráter propedêutico, que compunham a grade de estudos introdutórios às ciências superiores, Teologia e Filosofia, e eram a base do currículo escolar medieval, a enkuklios paidea ou círculo da educação, termo do qual se derivou o nome de enciclopédia. As Artes Liberais foram também teorizadas e estudadas, como parte do projeto medieval de hierarquização e classificação das ciências, por diversos autores e filósofos, como Boécio, Raimundo Lúlio e Dante Alighieri.
III. As Artes Liberais em um Sermão de São Vicente Ferrer
A visão de Vicente Ferrer acerca da Artes Liberais e da Filosofia como um todo abrange os mesmos princípios que inspiravam a organização dos estudos medievais, e reflete a intenção que subjaz a todos eles, qual seja, a de suprimir a ideia de autonomia e independência da Filosofia como síntese de saber e como sabedoria de vida autônoma, tal como erigida pelo paganismo.
São Vicente Ferrer ordena tal síntese ou sistema de saber racional em proveito do sistema teológico geral, isto é, da ciência divina, a fonte de conhecimentos especulativos e morais pertencente ao universo intelectual cristão.
Na visão rigidamente religiosa de São Vicente, a sabedoria secular não é suficiente para se alcançar a perfeição de vida e a salvação, se esta não for repleta das virtudes sobrenaturais e da sabedoria cristã. Nolite esse prudentes apud vosmet ipsos [22]. “Ninguém seja sábio aos seus próprios olhos” ou “que ninguém considere a si mesmo sábio” é a recomendação de São Paulo que o autor escolhe como a passagem-tema de seu sermão sobre as Artes Liberais.
A partir dela, argumenta o santo em favor da sabedoria cristã e enfatiza o caráter de insuficiência e mesmo os perigos que advém de uma valorização excessiva da “ciência dos filósofos” e dos saberes seculares profanos.
Ferrer primeiro prossegue a uma definição dos significados do conceito de prudentia, tal como aparece no texto bíblico para, então, esclarecer qual o significado da segunda expressão apud vosmet ipsos. Segundo o autor, três são as virtudes intelectuais, a ciência (scientia), a prudência (prudentia) e a sabedoria (sapientia). A ciência é o conhecimento que se tem das criaturas.
A prudência é a cognição intelectual dos atos humanos. A sabedoria é o conhecimento especulativo que se tem do divino, com sabor de devoção. Embora se possa falar de maneira comum da sabedoria, da prudência e da ciência como sendo a mesma virtude, de modo estrito elas se diferem, pois alguém pode ter uma delas e faltar com as outras.
Pode-se ter o conhecimento das criaturas, isto é, a ciência, mas não ter sabedoria, ou seja, a cognição e devoção ao divino. Ao contrário, pode-se conhecer a Deus e ter devoção espiritual, mas faltar com a prudência, virtude que regula os atos humanos em relação a Deus e ao próximo, e não governar a si próprio, enquanto ser racional, segundo a ordem estabelecida por Deus.
Desta forma, não basta ao homem simplesmente possuir tal ou tal virtude intelectual, mas possui-las todas e de forma ordenada, de modo que sejam efetivas. Assim como a mulher diligente é a coroa de seu marido [23], assim a sabedoria é a coroa da prudência virtuosa [24].
O termo ciência deve ser entendido de duas formas. Uma é a ciência que está em nós, a outra é a ciência que está acima de nós. A ciência que se encontra em nós mesmos, é aquela descoberta pelo intelecto e engenho humano, como é o caso das Sete Artes Liberais. Acima de nós está a ciência que não é descoberta por ação do intelecto humano, mas que foi revelada por Deus, como é o caso da ciência do Antigo e do Novo Testamento. “Não sejais sábios aos vossos próprios olhos”, como diz o tema, significa não se preocupar em ter muito ou pouco da ciência humana, mas desejar e buscar a ciência que se encontra acima do homem, a ciência sobrenatural revelada por Deus.
A razão é que a ciência, a arte e o engenho criados pelo intelecto humano são pequenos e módicos, mas a ciência de Deus é alta, elevada e magnífica. O pregador apresenta uma similitude para ilustrar a natureza das duas ciências e suas diferenças e compara o mundo com um palácio celestial visitado pelos filósofos. Os sábios deste mundo tiveram acesso ao conhecimento de alguns de seus elementos, mas, no entanto, não tiveram acesso às câmaras ou aposentos mais elevados e próximos de Deus e sua infinita sabedoria, cujo acesso é restrito aos sábios cristãos.
Et hoc potest videre per quandam similitudinem, quam tangit August. De rustico seu pastore, intrante palatium et dicente: illa est camera regis, et illa reginae, et illa filiorum, et illa fenestrae, etc., sed ipse non intrat cameram regis, nec videt regem, nec scit quid faciat, sed hoc sciunt cubicularii, consiliarii et Barones, qui intrant cameram, etc. Ideo isti judicantur sapientes, et non pastor seu rusticus. Iste mundus est palatium Dei, quod ipse fabricavit et creavit. O Israel, quam magna est domus Dei, etc. Baruch 3.
Hoc palatium intraverunt Philosophi, Pythagoras, Anaxagoras, Plato, Aristot., etc., et nihil sciverunt, nisi quod in illa camera, scilicet in coelo sit prima intelligentia cum suis consiliaris, scilicet Angelis, disputabant de fenestris, scilicet lune, solis, stellis, de motibus orbium, de animabus, etc. Sed ipse non viderunt Regem Deum, sed secretarii Dei, scilicet Sancti Patriarchae, Prophetae, Apostoli et Doctores sancti, isti habuerunt scientiam ex divina revelatione, scientes, quomodo Deus regat et gubernet mundum. Patet diferentia inter antiquos Philosophos et SS. Apostolos, etc., quibus dixit sic: Jam non dicam vos servos, ut Philosophi fuerunt, quia servus nescit, quid faciat dominus eius. Vos autem dixi amicos, quia quacunque audivi a Patre meo, nota feci vobis. Joan. 15 [25].
***
E isto se pode ver por uma similitude, de que trata Agostinho. Um pastor rústico entrou no palácio e disse: esta é a câmara do rei; esta a da rainha; esta a dos filhos, e estas são as janelas, etc., mas ele mesmo não entrou na câmara do rei, nem viu o rei, nem sabia o que ele estava fazendo. Mas isto sabiam os camareiros, os conselheiros e os Barões, pois eles entravam na câmara real. Por isso, estes são considerados sábios e não o pastor rústico. Este mundo é o palácio de Deus, que ele próprio fabricou e criou. Ó Israel, quão grande é a casa do Senhor, etc. Br 3, 24.
Neste palácio entraram os filósofos, Pitágoras, Anaxágoras, Platão, Aristóteles, etc., e nada conheceram senão o que estava naquele aposento, isto é, no céu no qual está a primeira inteligência com seus conselheiros, isto é, os Anjos, a disputar sobre as janelas, ou seja, a lua, o sol, as estrelas, o movimento do orbe, os animais, etc. Mas eles mesmos não viram a Deus Rei, mas somente os secretários de Deus o viram, isto é, os Santos Patriarcas, os Profetas, os Apóstolos e os Doutores santos, pois estes receberam a Ciência por divina revelação e sabem o modo com que Deus rege e governa o mundo. Eis a diferença entre os antigos filósofos e os Santos Apóstolos, etc., para os quais se disse: Já não vos chamo servos, como foram os filósofos, pois o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu vos chamo amigos, pois vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. Jo 15, 15.
A similitude tem o propósito de ilustrar o caráter de insuficiência da Filosofia face à plenitude de conhecimento cabível somente no âmbito da fé cristã e da amizade com Deus. Os filósofos antigos entreveram à luz da razão natural apenas alguns aspectos e porções do mundo criado. Eles entraram na primeira câmara do palácio de Deus e se entretiveram com a primeira inteligência celestial, com os “conselheiros” de Deus, os Anjos, por meio de disputas e argumentos sobre a natureza dos elementos do mundo, os astros, a lua, o sol, o movimento do orbe, sobre os animais, etc.
Mas eles, os filósofos, não visitaram a câmara do rei e não viram a Deus, um privilégio que coube apenas aos seus secretários, isto é, os Santos Patriarcas, os Profetas, os Apóstolos e Doutores da Igreja, os quais possuem a ciência da divina revelação e do modo como Deus rege e governa o mundo. Os antigos filósofos e a ciência filosófica são servos de Deus e de sua revelação, ao passo que os Apóstolos e Doutores cristãos são amigos de Cristo, que os deu a conhecer todos os mistérios que ouviu de Deus Pai.
Vicente Ferrer tem uma visão das Artes Liberais como uma ciência que, por ser um produto do engenho e intelecto humano, é limitada e deve, por isso, estar ordenada aos princípios mais elevados da virtude divina da Sabedoria, algo que se impõe pela própria estrutura cognitiva do intelecto humano, tal como concebido pelos escolásticos na divisão tripartida das virtudes intelectuais.
No entanto, o método analógico de raciocínio usado pelo pregador o leva a explicar, qualificar e comparar os elementos teóricos, técnicos e estruturais de cada arte liberal com doutrinas e exemplos morais extraídos da natureza da vida religiosa, da sua correspondência com o que é ensinado nos exemplos da Sagrada Escritura e que se remetem, por fim, à própria natureza de Cristo e à virtude da Sabedoria.
Em primeiro lugar, está a Gramática, chamada por Ferrer de “a primeira ciência dos filósofos”, a qual consiste no “falar com congruência ou concordância”. Três são suas características, a concordância entre o substantivo e o adjetivo, entre o nome e o verbo e entre relativos e antecedentes, as quais, na Gramática de Cristo, consistem em atribuir a Deus todas as coisas, guardar a boa fama do nome de si próprio e do próximo, manter sempre a honra e a reverência no falar e, por fim, ter sempre a verdade nos lábios, pois a oração verdadeira é aquela na qual não se encontra mentira ou falsidade nas palavras.
Prima scientia Philosophorum est Grammatica, quae docet loqui congrue, scilicet ut substantivum et adjectivum, nomem et verbum, relativum et antecedens conveniant. Ita in Grammatica Christi substantivum est Deus cuncta sustinens. Adjectiva autem quae in eo suppositantur, seu sustentantur, sunt omnia opera bona, sive mala poenalia, quae omnia a Deo sunt. [...] Nostra autem opera Deo sunt attribuenda, quia ipse facit omnia et sic substantiatur in Deo. Et ista est bona congruitas attribuire illa, quae fiunt et non creaturis quia incongruum esset. [...] Secundo debent convenire nomem et verbum in Grammatica Christi. Nomem est fama [...] verbo est sermo tuus.
Tunc nomem et verbum concordant quando tu non difamas nec mordes publicum peccatum nec secretum personae nominatae, sed cum reverentia et honore loquis vis de eis. [...] Tertio: relativum et antecedens est negotium de quo loquimini. Et conveniunt quando homo dicit veritatem de illo facto vel negocio, quia abe o, quod res est, vel non est, oratio vera vel falta dicitur. Omne mendacium est contra Grammaticam Christi, quia res extra non conveniunt [26].
***
A primeira ciência dos filósofos é a Gramática, que ensina a falar de forma congruente, isto é, para que o substantivo e o adjetivo, o nome e o verbo, o relativo e o antecedente sejam convenientes. Na Gramática de Cristo o substantivo é Deus, que tudo sustenta. O adjetivo, por sua vez, que ele supõe e sustenta são todas as boas obras, ou as penas, pois todas pertencem a Deus. [...] Nossas obras devem ser atribuidas a Deus, pois Ele tudo fez e, assim encontram sua substância em Deus. E é boa congruência atribuir-lhe as coisas feitas, e não às criaturas, o que é uma incongruência. [...] Em segundo lugar, deve-se convir o nome e o verbo na Gramática de Cristo. O nome é a fama [...] o verbo é a sua palavra.
Dessa forma, o nome e o verbo concordam quando tu não difamas nem atacas em público o pecado ou segredo da pessoa nomeada, mas com reverência e honra falas dela. [...] Terceiro, relativo e antecedente são os negócios dos quais falas. E eles concordam quando o homem diz a verdade sobre aquele fato ou negócio, que coisa é, que coisa não é, de modo que se diz que a oração é verdadeira ou falsa. Toda mentira é contra a Gramática de Cristo, pois uma coisa que vai além da verdade não é conveniente.
O cristão deve atribuir todas as coisas a Deus como ao substantivo de todas as coisas, menos a má vontade e o pecado. Se todos os entes derivam e são causados pelo Primeiro Ente, Deus, conforme estabelecido por Aristóteles na Metafísica, segue-se que todas as obras boas ou mesmo certos males relativos, destinados à punição do homem pelo pecado, são obras de Deus.
Assim como a beleza de uma carta não se atribui à pena, mas ao escritor, a beleza e harmonia da natureza devem ser atribuídas a Deus como uma boa Gramática, pois as criaturas, a natureza e as constelações são apenas instrumentos e não origem e causa de si mesmas.
Assim a chuva, a abundância, e mesmo a esterilidade, a fome e a mortalidade, as enfermidades, as dores e adversidades, tudo deve ser atribuído a Deus, como adjetivos que se relacionam ao substantivo na oração gramatical divina. A Gramática de Cristo encontra-se nas Escrituras, no exemplo da resposta de Jacó à Esaú: E levantando Esaú os olhos, viu as mulheres e os meninos, e perguntou: Quem são estes contigo? Respondeu-lhe Jacó: Os filhos que Deus bondosamente tem dado a teu servo [27]. Jacó foi exemplo da boa Gramática que estabelece a necessidade de tudo atribuir a Deus.
A “segunda ciência dos Filósofos”, a Lógica, é a ciência que ensina a definir, disputar e raciocinar por silogismos, induções e enthymemata, isto é, o conjunto clássico de silogismos retóricos que deve ser usado na prática oratória. A finalidade da Lógica definida por São Vicente Ferrer deixa mais preciso o escopo religioso do conhecimento adquirido pelas luzes da razão e sua natureza instrumental em relação à ordem das coisas divinas e de certas práticas religiosas.
Com efeito, a Lógica dos filósofos consiste em um espírito diletante que faz os homens se oporem a outros homens. A Lógica de Cristo, no entanto, é a ciência que ensina os cristãos a disputarem e argumentarem contra as insídias, tentações e arguições do Diabo.
Secunda scientia Philosophorum est Logica, quae docet definire, disputare et rationes facere per silogismos vel consequentias, vel enthymemata, vel inductiones. Hanc invenerunt Philosophi ad disputandum, scilicet, ut homo cum homine, sed non cum diabolo disputet. Sed Logica Christi docet modum disputandi contra Diabolum. Diabolus magnus sofista facit multa argumenta contra illud, quo debemus credere, vel contra illa quae debemus facere, vel contra e aquae debemus sperare [28].
***
A segunda ciência dos filósofos é a Lógica, que ensina a definir, disputar e fazer raciocínios por silogismos ou consequências, ou enthymemata, ou induções. Ocorre que a descobriram os filósofos para disputarem, isto é, disputar homem contra homem e não contra o Diabo. Mas a Lógica de Cristo ensina o modo com o qual disputar contra o Diabo. O Diabo é um grande sofista e faz muitos argumentos contra aquilo que devemos crer ou contra aquilo que devemos fazer ou contra aquilo que devemos esperar.com o qual disputar contra o Diabo. O Diabo é um grande sofista e faz muitos argumentos contra aquilo que devemos crer ou contra aquilo que devemos fazer ou contra aquilo que devemos esperar.
O Diabo argumenta contra aquilo em que o cristão deve crer, isto é, contra os dogmas de fé como, por exemplo, a Santíssima Trindade, a Encarnação de Cristo, a transubstanciação da hóstia consagrada, a virgindade perpétua de Maria, entre outras matérias de fé em relação as quais a Lógica de Cristo impõe responder com São Paulo: Et autem, qui potens est Deus, omnia facere superabundanter quam petimus aut intelligimus.
O diabo argumenta, ainda, contra aquilo que se deve fazer, isto é, a penitência e contra aquilo que o homem deve esperar, isto é, ser elevado ao céu. A disputa implica responder contra a astúcia e os sofismas do inimigo com os ensinamentos de Cristo, das Escrituras e da doutrina da Igreja.
Vicente Ferrer cita a disputa de argumentos entre Eva e a serpente descrita no livro de Gênesis. Ante a replicação da serpente, que a incitou a comer do fruto proibido, Eva deveria responder fundada na vontade de Deus e naquilo que O agrada, porém responde de outra forma e confirma o argumento do Diabo. O autor mostra, assim, que a Sagrada Escritura contém exemplos não somente do bom, mas também do mau uso da Lógica.
A terceira ciência, a Retórica, ensina a fazer petições e súplicas a Deus de forma apropriada e prudente. Erram aqueles que, como o fariseu, gabam-se dos dons recebidos por Deus como se fossem virtudes próprias. A Retórica de Cristo consiste, segundo o santo, em reconhecer que a prática das boas obras não é fundada na bondade do homem, mas de Deus. De nada vale pedir a graça de jejuar, de dar esmolas, de visitar os hospitais para saciar a vaidade e o amor próprio. São Vicente dá um exemplo da boa retórica, ao dizer
Ideo Rethorica Christi docet proprie allegare dicens: Domine vos fecistis mihi tot gratias, in creatione ad imaginem et similitudinem vestram. Similiter in nativitate, quia inter Christianos nati sum. Quia baptizatus, etc. Ideo Domine compleatis et faciatis mihi hanc gratiam. Ecce ista bona Rethorica, alegando ex parte Dei et non tua [29].
***
Por isso, a Retórica de Cristo ensina a alegar devidamente, dizendo: Senhor, vós me destes toda graça, e na criação me fez à sua imagem e semelhança. Do mesmo modo em meu nascimento, pois nasci entre cristãos. Por meu batismo, etc. Por isso, o Senhor cumpriu e fez em mim esta graça. Eis o que é a boa Retórica, alegar da parte de Deus e não da tua.
Na Retórica cristã, há uma dupla alegação ou petição a ser feita, uma da parte de Deus, ao alegar suas excelências ou da parte de si mesmo, ao agradecer os benefícios divinos recebidos. São Vicente distingue as quatro formas de oração, ou seja, a obsecração, que consiste no pedido feito através dos méritos do nascimento ou da Paixão de Cristo, a oração, que é a elevação da mente a Deus, a ação de graças, que consiste no agradecimento feito pelas graças recebidas e, por fim, a petição ou o ato de pedir algum benefício.
À ciência do discurso e da fala, Ferrer acrescenta um componente ético e uma forte tonalidade religiosa. Todas as formas de se dirigir a Deus, de maneira apropriada e prudente, são partes da boa retórica, da Retórica de Cristo, a qual não se resume, como no classicismo, na arte de embelezar o discurso, mas de fazê-lo de tal modo que seja justo e agradável a Deus.
Aos medievais, sobretudo entre os pregadores, era cara a noção de que a eloquência e a verdadeira Retórica deveriam estar ao serviço da Ética e das virtudes. Seus alicerces deveriam ser a Verdade, o Bem, a Justiça e a Prudência. O discurso deveria agradar a Deus antes que aos homens. A utilidade do discurso não residia no mero deleite pessoal, mas em sua capacidade de mover o homem para o que é justo e bom.
A tradição medieval manteve a validade e o cariz ético da retórica clássica, incorporando nela as virtudes cristãs ou teologais (Fé, Esperança e Caridade). A retórica era concebida como um instrumento à serviço da palavra de Deus, pois compreendia-se que a finalidade da eloquência é a verdade. Os oradores deveriam valorizar mais “a verdade da doutrina que a beleza das palavras” [30].
Na visão de Ferrer, a tônica religiosa e espiritual que impõe às regras do discurso e da fala, é ainda maior que em outros autores, que de uma forma geral, no entanto, tendiam a direcionar a função das Artes e instrumentalizá-las inevitavelmente à um fim espiritual e moral [31]. São Vicente não se deixa conduzir a uma efetiva explicação e teorização técnica e conceitual das ciências e das Artes Liberais, mas tão somente pretende, no sermão apresentado, inseri-las no quadro geral de sua perspectiva teológica e ética [32].
Assim, ele define a quarta ciência, a Música, como a concordância e harmonia do canto e apresenta uma série de analogias extraídas da interpretação alegórica da Bíblia. A harmonia das vozes muito agrada a Deus, diz o pregador. A Música de Cristo consiste na harmonia da penitência, a qual possui três vozes ou notas musicais: a terça, que é a dor do peito e a compunção, a quinta, que são os suspiros e gemidos e a oitava, que consiste em suplicar a misericórdia divina.
Sume citharam, quae est poenitentia, cithara enim est lignum aridum et vacum, alias non faceret sonum. Ita persona poenitens est arida per abstinentia et vacua, quia sine praesumptione de Dei misericordia, neque stulte confidet. Cithara poenitentia habet octo chordas, facientis acutum sonum. Prima est paccatorum cognitio et emendanti propositum, et sic de aliis. Circui civitatem [...] quae circuire debet per vicos et plateas, scilicet ad Deum et ad Sanctos recurrendo [33].
Primo coram palatio Trinitatis dicendo: Domine opus vestrum sum, ideo Domine parcatis mihi. Ecce una cantilena. Deinde coram Virgine Maria, dicendo illud: nec abhore peccatores, sine quibus nunquam fores tanto digna filio. Deinde ad plateas Patriarcharum et Prophetarum, etc. Bene cane, frequenta canticum. Ista musica placet Deo, ideo dicit: Qua habitas in hortis, amici auscultant, fac me audire vocem tuam. Cant. 8. Horti dicuntur Ecclesiae. Amici, sancti qui auscultant quemadmodum de nocte homo auscultat cantus.
***
Tome a cítara, que é a penitência, a cítara tem a madeira árida e vazia, pois de outra forma não emitiria som. Da mesma forma, a pessoa penitente é árida pela abstinência e vazia, pois é sem presunção da misericórdia de Deus, nem estultamente confiante. A Cítara da penitência tem oito cordas, que fazem som agudo. A primeira é a cognição do pecado e o propósito de emendar-se, e assim com as outras. Rodeie a cidade [...] pois deves circular pelas vias e ruas, isto é, a Deus e aos Santos recorrendo.
Primeiro diante do palácio da Trindade, dizendo: Senhor, sou obra sua, por isso o Senhor me poupa. Eis uma cantilena. Depois, diante da Virgem Maria, dizendo a ela: não abomines os pecadores, sem os quais não seria a digna Mãe de teu filho. Depois às ruas dos Patriarcas e Profetas, etc. Faça belas melodias, cante muitos cânticos. Esta música agrada a Deus, por isso foi dito: Ó vós que habitais os jardins, os amigos estão atentos para ouvir tua voz; faze-me, pois, também ouvi-la [34]. O jardim significa a Igreja. Os amigos são aqueles que escutam como de noite o homem escuta um cântico.
A passagem citada decorre da interpretação alegórica da passagem do profeta Isaías e procura estabelecer um vínculo bíblico entre a música e a penitência: Sume tibi citharam, circui civitate meretrix oblivioni tradita. Bene cane, frequenta canticum, ut memoria sit tui [35]. A meretriz esquecida é uma figura da alma pecadora desposada por Cristo no batismo e que deve a Ele retornar, a percorrer a cidade de Deus, cantar cânticos e fazer belas melodias de penitência, para que sua memória não seja esquecida.
O instrumento musical citado pelo profeta, a cítara, é uma figura da penitência e das cantilenas de arrependimento feitas pelos filhos de Deus nos diversos coros do palácio da Cidade de Deus, conforme esboça São Vicente Ferrer na bela analogia citada.
No caso da Aritmética, a ciência da numeração, São Vicente Ferrer procede a uma minuciosa e detalhada exposição da doutrina penitencial, por meio da analogia entre a arte da numeração com a prática sacramental da confissão. A Aritmética de Cristo consiste na numeração e divisão dos gêneros e espécies de pecados cometidos contra Deus e seus preceitos e contra as obras de misericórdia, por vício nos sentidos corporais. Na confissão, não basta enumerar ao confessor os pecados mortais, mas também os veniais, pois, caso contrário, esta seria uma aritmética do Diabo [36].
Existem três tipos de confissão: a primeira é chamada confissão especial ou confissão sacramental, que é aquela na qual o pecador enumera seus pecados ao sacerdote; a segunda é chamada confissão geral, a qual se faz no introito da Missa ou aquela confissão de culpa que fazem os religiosos na reunião do capítulo da Ordem; e a terceira é a confissão generalíssima, pela qual se diz a Deus “sou pecador”.
São Vicente Ferrer utiliza o exemplo dos vícios capitais para ensinar que não basta, na confissão oral, dizer o nome genérico do pecado, como por exemplo, a soberba, mas é necessário descer até suas espécies, qual seja, se o pecado da soberba e desprezo foi contra o pai ou a mãe, contra um Prelado ou Senhor, contra um maior ou menor em dignidade e honra, ou um igual, ou ainda, se foi contra um santo ou contra Deus.
A avareza também é uma designação genérica que comporta muitas espécies de pecado, como a simonia, a usura, a rapina ou o furto ou, ainda, se foi cometida comprando, vendendo, caluniando ou julgando.
Da mesma forma com a luxúria, é necessário enumerar na confissão se foi um ato de fornicação, ou adultério, rapto, incesto ou sacrilégio ou um pecado contra a natureza. Não se deve dizer o nome do indivíduo, isto é, nominar as pessoas, mas dizer a espécie de cada pecado mortal.
São Vicente cita o exemplum ilustrativo de um italiano que dizia ter somente três pecados parvíssimos: a usura, a luxúria e não crer em Deus. Ele enumera mal os pecados, diferente do rei de Judá, Manassés que, de acordo com a Aritmética de Cristo, bem enumera seus pecados dizendo: peccavi super numerum arena maris et multiplicata iniquitates meae [37].
A Geometria, a sexta na ordem das Artes Liberais e a terceira do Quadrivium, é a ciência dos filósofos que trata das medidas e proporções. De acordo com São Vicente, a Geometria de Cristo ensina a medir, de forma correta e prudente, a própria vida, os bens temporais e o serviço que se deve prestar a Deus. Se bem medir-se a vida humana nesta terra, ver-se-á que ela é insignificante e transitória, quase um nada, pois o que é passado nada é e o que seria o futuro, não existe.
A vida humana consiste em um ponto, pois do tempo o homem não tem senão o presente. Assim bem conhecia a medida desta vida Tiago Apóstolo, que afirmou: Quae enim est vita vestra? Vapor ad modicum parens et deinceps exterminabitur [38].
Por ser a vida tão módica, devemos ter os méritos da humildade. Em segundo lugar, diz São Vicente Ferrer, devemos medir os bens temporais, as honrarias, os ofícios, as dignidades e prelações. Se bem medidos, nenhum desses bens parece bom, pois o mérito não reside no fato de ser um rei ou um papa, mas em prestar contas a Deus das almas e fazer o bem a todos sob pena de danação eterna.
O rei deve prestar conta do bem de todos os seus súditos e o papa das almas de seu rebanho. Possuir muitas riquezas é um grande bem, o qual, no entanto, é frequentemente mal medido, conforme ilustrado por uma outra similitude apresentada por São Vicente Ferrer, que faz alusão à tolice de se acumular riquezas em proveito próprio.
Item videtur vobis, quod habere multas divitias sit Magnum bonum, sed male mensuratis, quia asinus potest esse auro oneratus, quod nec potest ipsum secum portare, ita quilibet dives oneratus est bonis divitiarum ipsius mundi, qui est Dominus divitiarum. Si vultus scire, quis divitiarum est Dominus, vos, an mundus? [...] Ideo onerate vos virtutibus et meritis, quae sequuntur hominem. Item videtur vobis, quod perfectae et purae, consolationes, vel etiam transitoriae et momentaneae voluptates carnis sint magnae delectationes, sed debemus mensurare servitium Dei [39].
***
Vede vós, que ter muitas riquezas é um grande bem, mas mal mensurado, pois como o asno pode ser onerado pelo peso do ouro, mas não pode ele mesmo possui-lo, assim é qualquer rico que esteja onerado com os bens e riquezas desse mundo, que são riquezas de Deus. Se queres saber, quem é o senhor da riqueza, vós ou o mundo? Por isso, onerai-vos de virtudes e méritos, que seguem o homem. Também vede vós, quão perfeitas e puras são suas consolações, e quão transitórios e momentâneos são os deleites e prazeres da carne, mas, por isso, devemos mensurar o serviço de Deus.
O homem tolo é como um asno que carrega ouro nas costas, mas não é o dono da riqueza. Os bens temporais são dádivas que pertencem a Deus e que a Ele devem ser remetidas. A Geometria de Cristo ensina ao homem a não se onerar de riquezas vãs e mundanas, bem como dos falsos, transitórios e momentâneos deleites da carne, mas a medir o serviço de Deus e acumular-se de virtudes e méritos, pela prática de obras puras e perfeitas. A medida justa é aquela de quem se humilha: Quanto magnus est, humilia te in omnibus et coram Deo invenies gratiam [40].
Vicente Ferrer conclui sua exposição sobre as Artes Liberais com a sétima das artes e última do Quadrivium. O pregador define a Astrologia como a ciência dos motores celestes, da ordenação dos planetas e da influência que eles exercem sobre a terra e os homens. Os astros, com o sol e a lua e suas caraterísticas naturais são considerados por São Vicente Ferrer como figuras analógicas da Santíssima Trindade, da Igreja e da Virgem Maria.
De acordo com a Astrologia que se aprende na escola de Cristo, assim como não há senão um só sol no céu, o qual possui três atributos, a substância, a radiação e o calor, também não há no céu empíreo senão um só Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. O sol circula pelo mundo desde o princípio do ano até o seu final, num círculo formado pelos doze signos, e ilumina, aquece e faz frutificar a terra.
Assim, também, o Sol de Justiça, Cristo, circula na terra e entre os homens pela fé nos doze artigos do Credo, dos quais alguns tratam de sua divindade e outros de sua humanidade. Ferrer alegoriza a figura da lua e de seus estágios, primeiro, ao compará-los com as idades da Igreja cristã, e depois, com os estágios de vida da Virgem Maria.
Item luna totam claritatem recipit a sole, ita Ecclesia totam claritatem habet a Deo. Nota septem conditiones lunae, quae reperiuntur in Ecclesia. Primo fuit nova tempore Christi et Apostolorum. Secundo fuit crescens tempore martyrum. Tertio fuit plena tempore Doctorum. Quarta fuit minuta tempore confessorum. Quinto fuit girata. Nam totus mundus est giratus et versus ad vanitatem. Sexto eclypsabitur cito, scilicet tempore Antichristi. Septimo in die judicii erit perfecta in aeternum. [...]
Et sicut in sole sunt tria, substantia, radius et calor, ita in Christo substantia corporis et radius divinitatis et calor dilectionis. Luna est Virgo Maria, quae fuit nova in nativitate, crescens in templi habitatione, plena in filii Dei conceptione, minuta secum portans Dominum in Aegypti fugatione, et girata in passione Christi, eclypsata in corporis defunctione et tandem perfecta in corporis et animae glorificatione [41].
***
Da mesma forma que a lua recebe toda a sua claridade do sol, assim a Igreja recebe sua claridade de Deus. Observe as sete condições da lua, que se encontram na Igreja. A primeira foi o tempo novo de Cristo e dos Apóstolos. A segunda foi o tempo crescente dos mártires. A terceira foi o tempo pleno dos Doutores. A quarta foi o tempo minguante dos Confessores. A quinta foi o retorno. Pois todo o mundo retornou verso à vaidade. A sexto é o rápido eclipse, isto é, o tempo do Anticristo. A sétima condição no dia do juízo, quando será perfeita e eterna. [...]
E assim como no sol encontram-se três atributos, isto é, substância, radiação e calor, assim em Cristo há a substância de seu corpo, a radiação de sua divindade e o calor de seu amor. A lua é a Virgem Maria, que foi nova em seu nascimento, crescente na habitação do templo, cheia na concepção do Filho de Deus, minguante ao carregar o Senhor na fuga do Egito, virada na Paixão de Cristo, eclipsada na morte do corpo e, então, perfeita na glorificação do corpo e da alma.
A conclusão da exposição não poderia ser mais significativa dessa relação especular. O bom astrólogo é aquele que contempla os planetas e considera-os análogos aos Anjos, os quais exercem influência constante no mundo e nos custodiam na terra. Mesmo no estudo das ciências naturais, humanas e filosóficas, a razão do cristão deve estar sempre embebida do espirito de contemplação, segundo a palavra de São Paulo: nostra conversatio in coelis est [42].
Deve o homem evitar estimar em demasia a prudência e a sabedoria do mundo e da carne, mas buscar e desejar a contemplação claríssima das coisas celestes, pela virtude da Sabedoria divina, infinita e incriada que Deus concederá ao seus na sua glória [43].
Para São Vicente, há nos astros e na composição da esfera celeste um conjunto de significados alegóricos e simbólicos que estão estampados imageticamente em sua natureza e em seus atributos. O pensamento analógico mais uma irriga a visão religiosa e providencial que se tem da ciência. Há uma Astrologia científica, assim como há uma Astrologia cristã.
Os elementos da esfera natural são sacramentalizados e sacralizados, e transpostos pelo santo em uma linguagem simbólica e figural. O speculum naturae mais uma vez é entrelaçado com a doutrina religiosa e com a visão cristã do universo, em um sistema analógico de referências construído através do jogo especular entre o âmbito da fé e da razão, entre a Teologia e a Filosofia, e entre o mundo das realidades e entidades sobrenaturais e naturais.
Em sua abordagem das ciências profanas, Ferrer age como o construtor de um dique que tem por propósito separar e distinguir o âmbito da cultura filosófica do âmbito da ciência divina. No embate entre a cultura secular e a do paganismo renascente em face da ordem e da tradição intelectual e religiosa cristã medieval, a visão sacralizada do mundo e do conhecimento é amplamente favorecida pelo pregador.
O autor não admite a tendência de se insuflar os métodos tradicionais de exegese e a consciência estritamente religiosa do conhecimento e da sabedoria, fundada nas fontes da Sagrada Escritura, em favor da valorização excessiva e imprudente da Filosofia e da sapientia pagã que, aos seus olhos, consistiria sempre numa ocasião de perigo e perda do sentido de fé, ocasião diante da qual nenhum homem possui imunidade.
Nesse sentido, a missão de Vicente Ferrer, como legatus a latere Christo, o impelia a agir na sociedade como reformador dos costumes e, consequentemente, da própria cultura. O pregador estava ciente de que era um porta-voz do céu, um catequista e moralizador que devia necessariamente direcionar e vincular seu discurso ao seu objetivo maior e final, qual seja, a de formar o povo e o clero em uma vida cristã modelar e efetiva.
Baseava-se em uma visão de mundo particular e essencialmente religiosa, e afastava-se o tanto quanto lhe era capaz do paganismo renascentista que já despertava, em seu tempo, inúmeras inquietações e profundas mudanças na cultura medieval.
Se os humanistas viam e desfrutavam da cultura clássica com um espírito de prazer e deleite e julgavam, como cristãos, que eram maduros e conscientes o suficiente para não deixá-la suplantar-lhes a fé, Vicente Ferrer, pelo contrário, enxergava a cultura pagã de uma forma geral e seu reflorescimento como uma perigosa e mortal investida do demônio contra a ordem cristã e contra as ovelhas do rebanho de Cristo [44].
Por esse motivo, embora o pregador se aproxime e trate frequentemente da “ciência dos filósofos”, valendo-se de muitos de seus postulados e ensinamentos, o faz apenas de maneira instrumental. Serve-se da Filosofia e medita a natureza das Artes Liberais dentro do escopo do verdadeiro sentido de sua existência, como servas da ciência sagrada.
O cristão, salienta, deveria se ocupar mais das Sagradas Escrituras, da obra dos Padres cristãos antigos e do magistério da Igreja e menos com os artifícios da Lógica, da Retórica e das demais ciências profanas, cujo uso e significado devem ser vertidos em proveito do evangelho e da autêntica vida cristã.
Conclusão
Na concepção ferreriana, a scientia divina é a única verdadeiramente necessária, ao passo que a humana scientia serve apenas para o consolo e conforto da inteligência. Não sem razão, vemos abundar no sermão analisado, por um lado, matérias e disciplinas que tratam da prática da religião, como a temática dos sacramentos, da penitência, das virtudes e dos vícios, da oração, das ordens e dos estados eclesiásticos e civis, da teologia trinitária, cristológica e mariana, bem como das relações do homem para com Deus e o próximo baseadas em uma concepção feudal e sacralizada.
Por outro lado, todas essas matérias são expostas tendo como recipiente intelectual o bojo da mentalidade simbólica medieval, profundamente imersa na visão alegórica, metafórica, figural e analógica da realidade, na qual a doutrina se faz compreensível por meio do exemplum, da similitude, do jogo especular entre o mundo físico, natural e o mundo sobrenatural e, sobretudo, pelo uso abundante do metaforismo e da exegese alegórica da Bíblia, considerada a fonte principal e inesgotável da ciência e do saber.
***
Fontes
ARISTÓTELES. Obras Completas. 20 vols. Madrid: Gredos, 1987.
BÍBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Paulus, 2002.
BOÉCIO. A Consolação da Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
HUGO DE SÃO VÍTOR. Didascálicon. Da Arte de Ler. Petrópolis: Vozes, 2001.
HUGONIS DE S. VICTORE. “De Scripturis et Scriptoribus Sacris”. In: J. –P. MIGNE. Patrologiae cursus completus: series latina. Paris: Migne, 1861-1864, v. 175, c. 09-28.
MARTÌN, O. S. A., Fr. Balbino (ed.). Obras de San Agustín. Tomo XV. Madrid: BAC, 1957.
SAN ISIDORO DE SEVILLA. Etimologías. Madrid: BAC, 2004.
SANTO AGOSTINHO. A Doutrina Cristã. Manual de exegese e formação cristã. São Paulo: Paulus, 2002.
Bibliografia
ALARCÓN, E.; FAITANIN, P. (eds.). Atualidade do tomismo. Rio de Janeiro: Sétimo Selo, 2008.
BOEHNER, P; GILSON, E. História da Filosofia Cristã. Petrópolis, Vozes, 1970.
BOUGEROL, J. G. Introduzione a S. Bonaventura. Vicenza: LIEF, 1988.
COSTA, Ricardo da; ZIERER, Adriana. “Boécio e Ramon Llull: a Roda da Fortuna, princípio e fim dos homens”. In: Revista Convenit Internacional (Editora Mandruvá), 5 (2000).
COSTA, Ricardo da. “Las definiciones de las siete artes liberales y mecánicas en la obra de Ramon Llull”. In: Anales del Seminario de Historia de la Filosofia. Vol. 23 (2006), pp. 131-164.
COSTA, Ricardo da. “A Educação na Idade Média: a Retórica Nova (1301) de Ramon Llull”. In: LAUAND, Luiz Jean (coord.). Revista NOTANDUM, n. 16, Ano XI, 2008, pp. 29-38. Editora Mandruvá - Univ. do Porto.
COSTA, Ricardo da. “A Ciência no Pensamento Especulativo Medieval”. In: Sinais 5, vol. 1, setembro/2009, p. 43-70.
COSTA, Ricardo da; FRANCO, Gustavo Cambraia. “São Vicente Ferrer (1350-1419) e a eficácia filosófico-retórica do sermão: Arte e Filosofia”. In: SANTOS, Bento Silva (org.). Mirabilia 20 (2015/1). Arte, Crítica e Mística – Art, Criticism and Mystique. Barcelona: Institut d’Estudis Medievals, UAB, Jan-Jun 2015, p. 100 ss.
COSTA, Ricardo da. “‘Entendo por ‘céu’ a ciência e por ‘céus’ as ciências’: As Sete Artes Liberais no Convívio (c. 1304-1307) de Dante Alighieri”. In: Carvalho, M.; Hofmeister Pich, R.; Oliveira da Silva, M. A.; Oliveira, C. E. Filosofia Medieval. Coleção XVI Encontro ANPOF. Anpof, 2015, p. 333-355.
COSTA, Ricardo da. “La Retórica Nueva (1301) de Ramón Llull: la Belleza a servicio de la conversión”. In: eHumanista/IVITRA 8 (2015), p. 28-43.
DE WULF, Maurice. Philosophy and Civilization in the Middle Ages. Princeton: Princeton University Press, 1922.
DUBY, Georges. O Tempo das Catedrais. A arte e a sociedade (980-1420). Lisboa: Estampa, 1993.
ENRIC RUBIO, Josep. “Intelectuales y eclesiásticos en la Valencia tardomedieval”. In: JOSEP ESCARTÍ, Vicent (coord.). Escribir y persistir. Estudios sobre la literatura en catalán de la Edad Media a la Renaixença. Volumen I. Buenos Aires; Los Angeles: Argus-a, 2013, p. 1-15.
FERRATER MORA, José. “Duns Scoto”. In: Diccionario de Filosofia. Buenos Aires: Sudamericana, 1965, pp. 488-490.
FREMANTLE, Anne (ed.). “John Scotus Erigena”. In: The Age of Belief. The Medieval Philosophers. Boston: Houghton Mifflin Company, 1955, pp. 72-87.
GILSON, Etiénne. Introdução ao estudo de Santo Agostinho. São Paulo: Paulus, 2006.
LEJAY, Paul. “Cassiosorus”. In: The Catholic Encyclopedia, vol 13 (1913).
LOPEZ CUÉTARA, José Miguel. El aristotelismo en el pensamiento de Robert Grosseteste. DF, México: Verdad y Vida, 2005.
MESQUITA, António Pedro. Aristóteles. Obras Completas. Introdução Geral. Lisboa: Impensa Nacional-Casa da Moeda, 2005.
PIEPER, Josef. Introducción a Tomás de Aquino. Rialp: Centenario, 1948.
REALE, Giovanni. Introduzione a Aristotele. Roma-Bari: Editori Laterza, 1977.
ROS, C. “Isidoro de Sevilla”. In: LEONARDI, C.; RICCARDI, A.; ZARRI, G. (dir.). Diccionario de los Santos. Volumen 1. Madrid: San Pablo, 1998, pp. 1119-1124.
VAN STEENBERGHEN, Fernand. “L'organisation des études au moyen âge et ses répercussions sur le mouvement philosophique”. In: Revue Philosophique de Louvain. Troisième série, tome 52, n°36, 1954, p. 577.
YSERN I LAGARDA, Josep-Antoni. “Sobre el Sermo unius confessoris et septem arcium spiritualium de Sant Vicent Ferrer”. In: Revista de Lengua y Literatura Catalana, Gallega y Vasca 6 (1999), p. 113-137.
Notas
[1] Daqui o sugestivo nome do sermão, De Christiana prudentia, quae certo modo septe artes liberales complectitur. Cf. SANCTI VICENTII FERRERII. “Dominica III Post Epiphaniam. Sermo III”. In: Opera Seu Sermones de Tempore. Tomus primus. Augsburg: Strötter, 1729, p. 114. Trata-se de um sermão modelo, de uma peça oratória repetida a ser usada em diversas ocasiões, provavelmente durante a campanha castelhana de sua pregação, e que se encontram, além da versão latina, também em catalão e castelhano, como atesta Ysern i Lagarda em sua análise de um outro sermão semelhante, no qual o autor versa, do mesmo modo, sobre as Artes Liberais. Cf. YSERN I LAGARDA, Josep-Antoni. “Sobre el Sermo unius confessoris et septem arcium spiritualium de Sant Vicent Ferrer”. In: Revista de Lengua y Literatura Catalana, Gallega y Vasca 6 (1999), p.117.
[2] Agostinho de Hipona, ou Santo Agostinho, foi um dos mais importantes teólogos e filósofos dos primeiros anos do Cristianismo, cujas obras foram muito influentes no desenvolvimento do cristianismo e da filosofia ocidental. Foi Bispo de Hipona, uma cidade na província romana da África. Escreveu na era patrística, e é amplamente considerado como o mais importante dos Padres da Igreja no Ocidente. Cf. GILSON, Etiénne. Introdução ao estudo de Santo Agostinho. São Paulo: Paulus, 2006. Entre suas principais obras, está a Cidade de Deus (Civitate Dei) e um tratado de Exegese Bíblica (De Doctrina Christiana) muito difundido na Idade Média. Cf. SANTO AGOSTINHO. A Doutrina Cristã. Manual de exegese e formação cristã. São Paulo: Paulus, 2002. O Cristianismo levou a cabo um processo de revisão do espírito pagão antigo e de seu programa educacional. A obra De Doctrina Christiana, de Santo Agostinho, marcou o ponto culminante nesse processo de revisão, no qual se deu o encontro decisivo entre a Revelação cristã com a visão de mundo outrora elaborada pelo paganismo e influenciou sobremaneira o plano de organização de estudos nas escolas cristãs. A obra, usada por padres e bispos para a catequese, é composta de uma introdução à leitura e exegese das Sagradas Escrituras e contém a concepção agostiniana acerca do saber cristão que veio substituir a Filosofia e sabedoria pagã. A sabedoria cristã é concebida como uma síntese de saberes que se centram e atingem seu cume na ciência dos livros sagrados, na Bíblia. Agostinho demonstra que todas as ciências profanas devem ser utilizadas pelo cristão na exegese da Bíblia, em um programa de estudos que ia além dos limites das Sete Artes Liberais. Cf. VAN STEENBERGHEN, Fernand. “L'organisation des études au moyen âge et ses répercussions sur le mouvement philosophique”. In: Revue Philosophique de Louvain. Troisième série, tome 52, n°36, 1954, p. 577.
[3] Cf. DUBY, Georges. O Tempo das Catedrais. A arte e a sociedade (980-1420). Lisboa: Estampa, 1993, pp. 118-119.
[4] Filósofo, estadista, musicólogo e teólogo romano que se notabilizou pela sua tradução e comentário do Isagoge de Porfírio, obra que se transformou em um dos textos mais influentes da Filosofia medieval europeia. Traduziu, comentou e resumiu, entre obras dos clássicos gregos, vários tratados sobre Matemática, Lógica e Teologia. Enquanto aguardava sob prisão a execução, escreveu De Consolatione Philosophiae (A Consolação da Filosofia), obra que versa, entre outros temas, sobre o conceito de eternidade e na qual tenta demonstrar que a procura da sabedoria e do amor de Deus é a verdadeira fonte da felicidade humana. Ver BOÉCIO. A Consolação da Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 1998; e COSTA, Ricardo da; ZIERER, Adriana. “Boécio e Ramon Llull: a Roda da Fortuna, princípio e fim dos homens”. In: Revista Convenit Internacional (Editora Mandruvá), 5 (2000).
[5] Político, historiador, musicólogo e filósofo latino, fundador do mosteiro de Vivarium, no sul da Itália. Ver LEJAY, Paul. “Cassiosorus”. In: The Catholic Encyclopedia, vol 13 (1913).
[6] Isidoro de Sevilha (em latim: Isidorus Hispalensis; nascido provavelmente em Cartagena) foi um eclesiástico católico erudito polímata hispanogodo. Foi Arcebispo de Sevilha durante mais de três décadas (599-636) e canonizado pela Igreja Católica, por isso conhecido habitualmente como Santo Isidoro de Sevilla. Foi um escritor prolífico e um infatigável compilador. Compôs numerosos trabalhos históricos e litúrgicos, tratados de Astronomia e Geografia, diálogos, enciclopédias, biografias de pessoas ilustres, textos teológicos e eclesiásticos, ensaios e comentários sobre o Antigo e Novo Testamento, e um dicionário de sinônimos. Sua obra mais importante são as Etimologias, uma extensa compilação na qual sistematiza e condensa todo o conhecimento da época. Ver SAN ISIDORO DE SEVILLA. Etimologías. Madrid: BAC, 2004; para uma biografia mais detalhada, ver ROS, C. “Isidoro de Sevilla”. In: LEONARDI, C.; RICCARDI, A.; ZARRI, G. (dir.). Diccionario de los Santos. Volumen 1. Madrid: San Pablo, 1998, pp. 1119-1124.
[7] Filósofo, teólogo e tradutor irlandês, expoente máximo do renascimento carolíngio no século IX, Eriúgena concentrou seus estudos nas relações entre a filosofia grega e os princípios do Cristianismo. Na corte, ensinou Gramática e Dialética, e traduziu diversas obras teológicas e filosóficas dos Padres da Igreja. Ver FREMANTLE, Anne (ed.). “John Scotus Erigena”. In: The Age of Belief. The Medieval Philosophers. Boston: Houghton Mifflin Company, 1955, pp. 72-87.
[8] VAN STEENBERGHEN, Fernand. “L'organisation des études au moyen âge et ses répercussions sur le mouvement philosophique”, op. cit., p. 579.
[9] Teólogo, filósofo neoplatônico grego, nascido em Alexandria, é um dos Padres gregos. Escreveu uma série de obras exegéticas e comentários à Bíblia.
[10] Filósofo grego, aluno de Platão e professor de Alexandre, o Grande (356-323 a. C.). Seus escritos abrangem diversos assuntos, como a Física, a Metafísica, a Poesia, o Drama, a Música, a Lógica, a Retórica, a Política, a Ética, a Biologia e a Zoologia. Juntamente com Platão e Sócrates (professor de Platão), Aristóteles é visto como um dos fundadores da filosofia ocidental. Para uma edição de suas obras completas, Cf. ARISTÓTELES. Obras Completas. 20 vols. Madrid: Gredos, 1987; o estudo de António Pedro Mesquita (Aristóteles. Obras Completas. Introdução Geral. Lisboa: Impensa Nacional-Casa da Moeda, 2005); bem como a obra de Giovanni Reale (Introduzione a Aristotele. Roma-Bari: Editori Laterza, 1977).
[11] VAN STEENBERGHEN, Fernand. “L'organisation des études au moyen âge et ses répercussions sur le mouvement philosophique”, op. cit., p. 581.
[12] DE WULF, Maurice. Philosophy and Civilization in the Middle Ages. Princeton: Princeton University Press, 1922, p. 151.
[13] Filósofo, teólogo, cardeal, monge e autor místico da Idade Média. Seu tratado intitulado Didascalicon serviu como referência tanto aos estudantes como aos professores das recém-abertas escolas catedralícias da Europa medieval. O tratado divide e classifica, sistematicamente, as formas de conhecimento. Neste trabalho, ele também desenvolve a chave para entender as Escrituras distinguindo entre o significado literal (historia) e o profundo significado para além da letra (alegoria). Cf. HUGONIS DE S. VICTORE. “De Scripturis et Scriptoribus Sacris”. In: J. –P. MIGNE. Patrologiae cursus completus: series latina. Paris: Migne, 1861-1864, v. 175, c. 09-28; HUGO DE SÃO VÍTOR. Didascálicon. Da Arte de Ler. VI, 2. Petrópolis: Vozes, 2001, p. 235; COSTA, Ricardo da. “A Ciência no Pensamento Especulativo Medieval”. In: Sinais 5, vol. 1, setembro/2009, p. 135 ss.
[14] Roberto Grosseteste foi uma figura central do importante movimento intelectual da primeira metade do século XIII na Inglaterra. Foi apelidado de Grosseteste (cabeça grande) pela sua enorme capacidade intelectual. Escreveu sobre Astronomia, Geometria e, especialmente, Óptica. Primeiro estudioso europeu a dominar as línguas grega e hebraica. Sua influência foi bastante significativa numa época em que o novo conhecimento da ciência e da filosofia gregas produziam efeitos profundos na filosofia cristã. Ver BOEHNER, P; GILSON, E. História da Filosofia Cristã. Petrópolis, Vozes, 1970, pp. 363- 376; e LOPEZ CUÉTARA, José Miguel. El aristotelismo en el pensamiento de Robert Grosseteste. DF, México: Verdad y Vida, 2005.
[15] Tomás de Aquino foi um frade da Ordem dos Pregadores (dominicanos) italiano, cujas obras tiveram enorme influência na Teologia e Filosofia, principalmente na tradição conhecida como Escolástica, e que, por isso, é conhecido como Doctor Angelicus, Doctor Communis e Doctor Universalis. Tomás abraçou diversas ideias de Aristóteles – a quem ele se referia como "o Filósofo" – e tentou sintetizar a filosofia aristotélica com os princípios do Cristianismo. As obras mais conhecidas de Tomás são a Suma Teológica (Summa Theologiae) e a Suma contra os Gentios (Summa contra Gentiles). Seus comentários sobre as Escrituras e sobre Aristóteles também são parte importante de seu corpus literário. Além disso, Tomás se distingue por seus hinos eucarísticos, que ainda hoje fazem parte da liturgia da Igreja. Sobre sua vida e obra, Cf. ALARCÓN, E.; FAITANIN, P. (eds.). Atualidade do tomismo. Rio de Janeiro: Sétimo Selo, 2008; e PIEPER, Josef. Introducción a Tomás de Aquino. Rialp: Centenario, 1948.
[16] Um dos mais importantes teólogos e filósofos escolásticos medievais, nascido na Itália no século XIII. Sétimo Ministro-Geral da Ordem dos Frades Menores, foi também cardeal-bispo de Albano. Ver BOUGEROL, J. G. Introduzione a S. Bonaventura. Vicenza: LIEF, 1988.
[17] Raimundo Lúlio foi o mais importante escritor, filósofo, poeta, missionário e teólogo da língua catalã. Foi um prolífico autor também em árabe e latim, bem como em langue d'oc. Ao longo de sua obra, Ramon Llull formulou uma extensa classificação das ciências e das Artes Mecânicas e Liberais e conferiu a elas um sentido pedagógico e educacional, mas também instrumental, ou seja, pretende abarcar todos os conhecimentos humanos e ramificações do saber sem abandonar as aquisições da sabedoria cristã, que ao longo dos séculos conceberam a busca do saber como uma amorosa e desinteressada busca da felicidade e da contemplação de Deus, seu cume. Ver COSTA, Ricardo da. “Las definiciones de las siete artes liberales y mecánicas en la obra de Ramon Llull”. In: Anales del Seminario de Historia de la Filosofia. Vol. 23 (2006), pp. 131-164.
[18] Membro da Ordem Franciscana, filósofo e teólogo da tradição escolástica, chamado o Doutor Sutil, foi mentor de outro grande nome da filosofia medieval: Guilherme de Ockham (1285-1347). Para Scotus, as verdades da fé não poderiam ser compreendidas pela razão. A filosofia, assim, deveria deixar de ser uma serva da teologia e adquirir autonomia. Ver FERRATER MORA, José. “Duns Scoto”. In: Diccionario de Filosofia. Buenos Aires: Sudamericana, 1965, pp. 488-490.
[19] Dante Alighieri foi um escritor, poeta e político italiano. É considerado o primeiro e maior poeta da língua italiana, definido como il sommo poeta.
[20] A filosofia de Dante sobre as Artes Liberais foi analisada por COSTA, Ricardo da. “‘Entendo por ‘céu’ a ciência e por ‘céus’ as ciências’: As Sete Artes Liberais no Convívio (c. 1304-1307) de Dante Alighieri”. In: Carvalho, M.; Hofmeister Pich, R.; Oliveira da Silva, M. A.; Oliveira, C. E. Filosofia Medieval. Coleção XVI Encontro ANPOF. Anpof, 2015, p. 353.
[21] VAN STEENBERGHEN, Fernand. “L'organisation des études au moyen âge et ses répercussions sur le mouvement philosophique”, op. cit., p. 592.
[22] Rm 12, 16.
[23] “Mulier diligens corona est viro” (Pv 12, 4).
[24] SANCTI VICENTII FERRERII. “Dominica III. Post Epiphaniam. Sermo III”. In: Opera Seu Sermones de Tempore. Tomus primus, op. cit., pp. 113-114.
[25] Ibidem, p. 114.
[26] Ibidem, p. 115.
[27] Gn 33, 5.
[28] SANCTI VICENTII FERRERII. “Dominica III. Post Epiphaniam. Sermo III”. In: Opera Seu Sermones de Tempore. Tomus primus, op. cit., p. 115.
[29] Ibidem, p. 116.
[30] SAN AGUSTÌN. “De la doctrina christiana, Libro IV, 28, 61”. In: MARTÌN, O. S. A., Fr. Balbino (ed.). Obras de San Agustín. Tomo XV. Madrid: BAC, 1957, p. 343; e COSTA, Ricardo da. “A Educação na Idade Média: a Retórica Nova (1301) de Ramon Llull”. In: LAUAND, Luiz Jean (coord.). Revista NOTANDUM, n. 16, Ano XI, 2008, pp. 29-38. Editora Mandruvá - Univ. do Porto.
[31] Ramon Llull, por exemplo, valorizava o aspecto ornamental e os atributos de beleza da linguagem, mas entendia que a Retórica e a beleza do discurso deviam servir à conversão das almas, para o que era sempre proveitoso o uso abundante de variados recursos, como vocábulos e expressões belas, analogias belas, ornamento adequado, conjunções e disjunções apropriadas, provérbios, exempla e moralidades. Cf. COSTA, Ricardo da. “La Retórica Nueva (1301) de Ramón Llull: la Belleza a servicio de la conversión”. In: eHumanista/IVITRA 8 (2015), p. 31.
[32] Cf. COSTA, Ricardo da; FRANCO, Gustavo Cambraia. “São Vicente Ferrer (1350-1419) e a eficácia filosófico-retórica do sermão: Arte e Filosofia”. In: SANTOS, Bento Silva (org.). Mirabilia 20 (2015/1). Arte, Crítica e Mística – Art, Criticism and Mystique. Barcelona: Institut d’Estudis Medievals, UAB, Jan-Jun 2015, p. 100 ss.
[33] SANCTI VICENTII FERRERII. “Dominica III. Post Epiphaniam. Sermo III”. In: Opera Seu Sermones de Tempore. Tomus primus, op. cit., pp. 116-117.
[34] Ct 8, 13.
[35] Is, 23.
[36] Ibidem, p. 117.
[37] Esta oração, chamada de Oração de Manassés, é de origem apócrifa e encontra-se nas bíblias gregas e eslavas. Ela foi colocada, tardiamente e em separado, como apêndice do Livro das Crônicas na Bíblia Vulgata, que era o texto utilizado por nosso autor. Idem.
[38] Iacobi 3, 14.
[39] SANCTI VICENTII FERRERII. “Dominica III. Post Epiphaniam. Sermo III”. In: Opera Seu Sermones de Tempore. Tomus primus, op. cit., p. 117.
[40] Eccles. 3, 20.
[41] SANCTI VICENTII FERRERII. “Dominica III. Post Epiphaniam. Sermo III”. In: Opera Seu Sermones de Tempore. Tomus primus, op. cit., p. 118.
[42] Phil. 3, 20.
[43] SANCTI VICENTII FERRERII. “Dominica III. Post Epiphaniam. Sermo III”. In: Opera Seu Sermones de Tempore. Tomus primus, op. cit., p. 118.
[44] Um esboço geral da oposição de São Vicente Ferrer à cultura clássica pagã encontra-se em ENRIC RUBIO, Josep. “Intelectuales y eclesiásticos en la Valencia tardomedieval”. In: JOSEP ESCARTÍ, Vicent (coord.). Escribir y persistir. Estudios sobre la literatura en catalán de la Edad Media a la Renaixença. Volumen I. Buenos Aires; Los Angeles: Argus-a, 2013, p. 3 ss.